Blog -> Skate e o velho "Telhado de Vidro": quando o improviso de poucos ameaça toda a nossa Cultura

HomeBlogSkate e o velho "Telhado de Vidro": quando o improviso de poucos ameaça toda a nossa Cultura

VOLTAR PARA BLOG

Skate e o velho "Telhado de Vidro": quando o improviso de poucos ameaça toda a nossa Cultura

AG5 - Agência de Conteúdo

O skate ainda paga por décadas de preconceito — e também pela irresponsabilidade de quem confunde liberdade com improviso. Profissionalizar o ensino, registrar ocorrências e planejar riscos é proteger alunos e fortalecer toda a Cultura Skateboard.

O SKATE E O “TELHADO DE VIDRO”

A profissionalização dos Instrutores de Skate não depende apenas de conhecimento técnico. Exige planejamento, prevenção, registros e responsabilidade com toda a Cultura Skateboard.

    O skate ainda carrega um pesado telhado de vidro construído ao longo de décadas.

    Sobre ele permanecem a antiga fama de modalidade de marginais e bandidos, as proibições históricas em espaços públicos, a falsa ideia de que o skate provoca mais lesões do que outras práticas esportivas e o preconceito daqueles que nunca compreenderam sua dimensão cultural, educativa, social e econômica.

Esse telhado, porém, não foi construído apenas pelos adversários do skate.

    Parte dele também foi erguida por falsos defensores da Cultura Skateboard: pessoas que transformaram a liberdade em desculpa para a irresponsabilidade, utilizaram o skate como fuga de compromissos consigo mesmas e passaram a defender uma lógica segundo a qual, quanto maior o abandono, a desordem e a precariedade, mais autêntica seria a prática.

    Em nome de uma suposta pureza cultural, tentaram coibir aulas organizadas, rejeitaram orientações técnicas, desprezaram medidas de prevenção e trataram os cuidados básicos com a segurança dos praticantes como se fossem uma ameaça à essência do skate.

Não eram.

Ensinar corretamente nunca diminuiu o skate.

Cuidar nunca domesticou sua cultura.

Organizar nunca retirou sua liberdade.

    Ao contrário: a ausência de responsabilidade ofereceu argumentos justamente àqueles que sempre desejaram afastar os skatistas dos espaços públicos, dos clubes, das escolas, dos projetos esportivos e dos recursos institucionais.

QUANDO QUALQUER ERRO É USADO CONTRA TODA A MODALIDADE

    Basta que uma pista seja construída em uma cidade, em uma escola ou em um clube para que surjam disputas pelo espaço, tentativas de reserva de mercado e grupos interessados em limitar o acesso de uma cultura que cresce no mundo inteiro, atrai novos praticantes, mobiliza famílias e conquista cada vez mais simpatizantes.

Nesse ambiente, qualquer falha pode ser usada contra toda a comunidade.

    Uma ocorrência mal conduzida, um acidente sem registro, uma aula sem critérios ou uma decisão tomada de maneira improvisada podem rapidamente alimentar a velha narrativa de que o skate é desorganizado, perigoso e incompatível com uma atuação profissional.

É esse o significado do telhado de vidro: sobre o skate, muitas vezes, não pesa apenas a avaliação de uma conduta individual.

Pesa o julgamento de toda uma modalidade.

    Por isso, instrutores e professores não podem negligenciar os preceitos que asseguram uma condução responsável, coerente e tecnicamente fundamentada das atividades.

PLANEJAR, PREVENIR E REGISTRAR

    Atuar profissionalmente significa possuir um Plano de Contingência bem estruturado, conhecer os procedimentos adequados para cada tipo de ocorrência, organizar as informações, registrar os fatos relevantes e preservar a memória do que aconteceu, das providências adotadas e das orientações fornecidas.

As anotações não são burocracia inútil.

    Elas permitem acompanhar o desenvolvimento dos alunos, identificar reincidências, corrigir procedimentos, aperfeiçoar as aulas, comunicar adequadamente as famílias e demonstrar que o trabalho foi conduzido com responsabilidade.

Da mesma forma, o registro das ocorrências não deve ser compreendido como instrumento de punição ou de defesa pessoal do instrutor.

Ele faz parte de uma cultura profissional de prevenção, transparência, aprendizado e cuidado coletivo.

O QUE UMA ATUAÇÃO RESPONSÁVEL PRECISA CONTEMPLAR

    Uma atuação responsável precisa considerar, entre outros aspectos:

— avaliação das condições do espaço e dos equipamentos;

— orientação prévia aos praticantes;

— compatibilidade entre exercícios, idade, experiência e capacidade técnica;

— definição de procedimentos para quedas, lesões e outras intercorrências;

— comunicação adequada com responsáveis, coordenação e instituições;

— anotação objetiva das ocorrências e das medidas adotadas;

— revisão periódica do Plano de Contingência.

EXPERIÊNCIA PRÁTICA É INDISPENSÁVEL, MAS NÃO BASTA

    A experiência prática é indispensável, mas não basta.

    O profissional precisa demonstrar que sabe ensinar, prevenir, observar, decidir, registrar e responder pelas condições em que sua atividade é conduzida.

Quem reivindica respeito profissional precisa produzir evidências de profissionalismo.

No skate, responsabilidade não é o oposto da liberdade.

É aquilo que permite que a liberdade continue existindo.

    Cada aula bem conduzida, cada ocorrência devidamente registrada e cada procedimento executado com seriedade retiram uma placa desse antigo telhado de vidro.

O Instrutor de Skate não cuida apenas do aluno que está diante dele.

Cuida também da reputação, da permanência e do futuro de toda a Cultura Skateboard.


EXPEDIENTE

Matéria: O Skate e o “Telhado de Vidro”

Editoria: Cultura Skateboard | Formação Profissional | Segurança | Pedagogia do Skate
Pesquisa, organização editorial e redação: AG5 — Agência de Conteúdo
Curadoria cultural e pedagógica: Frederico Manica — Central do Skate
Publicação: Central do Skate
Tema: Profissionalização dos Instrutores de Skate, prevenção, segurança, registro de ocorrências, responsabilidade pedagógica e reconhecimento profissional
Abordagem: Cultura Integrativa, formação responsável, Plano de Contingência, proteção dos praticantes e fortalecimento da Cultura Skateboard

Tags: Cultura Skateboard