Em um dos últimos refúgios preservados do litoral catarinense, a Pizzeria Matteo faz da fermentação longa, do forno a lenha e do cuidado com os detalhes uma experiência de sabor, leveza e autenticidade na Riba.
Em tempos de experiências infladas por marketing e esvaziadas na prática, a Matteo chama atenção justamente por operar no sentido inverso: menos pose, mais substância.
Não por acaso, a Matteo vem despertando a atenção e o encantamento de visitantes de diferentes estados, muitos deles surpreendidos por encontrar na Ribanceira não apenas uma bela paisagem, mas uma experiência de mesa que condiz com a grandeza do lugar.
A pedido da Editoria da AG5, o escritor e poeta Frederico Manica se debruçou sobre suas paixões — sua amada Riba, a Praia da Ribanceira, na cidade de Imbituba, e a pizza The Boss / Don Gianno, especialidade autoral da Pizzeria Matteo — e produziu uma matéria que fala muito sobre algo que está faltando nos dias atuais: o sentido real dos pequenos momentos que fazem nossos esforços valerem a pena.
A Praia da Ribanceira, a nossa Riba, segue como um dos raros trechos do litoral em que a natureza ainda não foi rebaixada à condição de cenário para concreto, pressa e especulação.
Ali, o mar ainda manda. O vento ainda tem voz. A paisagem ainda não foi domesticada pela selvageria dos prédios, dos condomínios e da falsa ideia de progresso que, em tantos pontos da costa, substituiu a vida por empilhamentos, ruídos e descaracterização.
Quem chega à Riba sente isso quase de imediato.
Não se trata apenas de beleza. Trata-se de presença. Trata-se de entrar num lugar em que a natureza ainda é protagonista. Um lugar onde o horizonte segue inteiro, onde a terra ainda conversa com o mar, onde a experiência de estar vale por si.
Talvez seja justamente por isso que a Riba marque tanto quem vem de fora. Pessoas de vários estados chegam ali e saem com a sensação rara de que encontraram algo que, em quase todo o resto, já foi perdido.
A Riba não é uma praia fabricada.
Não é uma faixa costeira estendida artificialmente, comprimida entre paredões, poluição visual e fingimentos urbanos.
A Riba ainda preserva a dignidade do litoral vivo. E isso muda tudo.
É nesse contexto que a Pizzaria Matteo se impõe não como um corpo estranho, mas como uma continuação coerente do lugar.
A Matteo não impressiona por excessos. Impressiona por critério. Por entender que, em certos lugares, o que vale não é montar uma vitrine afetada, mas construir uma experiência verdadeira.
Há nela algo que remete àquelas bodegas e pequenas casas familiares à beira-mar da Itália, da Espanha e de Portugal: locais onde a família atua junta, onde jovens e mais velhos compõem a alma da casa, onde os pormenores importam mais do que o mobiliário, e onde o cuidado vale mais do que a decoração pensada apenas para fotografia.
Ali, o essencial não é acessório.
E entre esses essenciais, a massa ocupa lugar central.
Hoje muita gente fala em fermentação como quem repete uma palavra bonita de cardápio. Mas uma fermentação longa de verdade, em média de 72 horas, é outra coisa.
É outro nível de saber.
É outro grau de respeito pelo alimento.
É outro compromisso com a experiência.
Não se trata de algumas horas apressadas para cumprir tabela. Trata-se de tempo, processo e maturação.
E o corpo percebe.
Percebe na leveza.
Percebe na digestão.
Percebe naquela sensação de bem-estar que permanece depois da refeição.
Percebe na diferença entre comer algo apenas vistoso e comer algo realmente bem pensado.
Uma massa de fermentação longa não é apenas mais interessante no paladar; ela também costuma ser mais gentil com quem a consome. Menos pesada. Mais equilibrada. Mais compatível com aquilo que uma boa refeição deveria deixar: prazer, saciedade e boa memória.
É esse tipo de diferença que separa o produto feito às pressas do produto feito com convicção.
A fermentação longa, em média de 72 horas, não é frescura técnica nem ornamento de discurso. É um dos sinais mais concretos de que alguém escolheu fazer melhor. Escolheu esperar. Escolheu não violentar o processo. Escolheu valorizar aquilo que hoje quase tudo ao redor tenta encurtar: o tempo, o cuidado, o amadurecimento, a experiência.
E isso conversa perfeitamente com a Riba.
Porque a Riba também é isso: um lugar que não deveria ser violentado pela pressa, pela grosseria do mercado, pela ocupação que destrói exatamente aquilo que vende.
A Matteo, ao apostar no cuidado, no detalhe e numa massa de fermentação longa, compreende algo que muitos empreendimentos jamais compreenderam:
certos lugares não admitem incoerência.
Não basta estar num lugar bonito.
É preciso merecê-lo.
É servir bem.
É cuidar.
É atender com dignidade.
É entender que a excelência não está em encenação.
Dizer que a cerveja está “trincando” e oferecer copos plásticos como regra de experiência não é despojamento: é empobrecimento.
Ter produtos excelentes e atender com péssimo humor, como se a visita do cliente fosse um incômodo, não é autenticidade: é falha grave de compreensão sobre hospitalidade.
Sentar alguém numa mesa luxuosa diante de toneladas de esgoto, poluição e concreto, numa praia artificialmente estendida sobre paredões mortos, sem vida, sem natureza e sem sustentabilidade, não é sofisticação: é fraude.
A Riba pede outra coisa.
Pede respeito ao entorno.
Pede verdade.
Pede uma experiência que esteja à altura do que a paisagem entrega.
Pede que o comércio local compreenda que valorizar um lugar não é explorá-lo até o limite, mas honrá-lo com grandeza.
A Matteo, ao que tudo indica, entendeu isso.
Entendeu que excelência não depende de espalhafato.
Entendeu que uma família atuando junta, com atenção aos detalhes, pode criar algo maior do que muitos espaços montados apenas para parecer sofisticados.
Entendeu que uma massa de fermentação longa, feita com paciência verdadeira, diz mais sobre um estabelecimento do que qualquer peça de decoração cara.
Entendeu que a sensação depois da experiência pode ser ainda melhor do que o instante do deleite à mesa.
Raro como assistir ao nascer do sol nessa enseada escolhida pelas Baleias Francas.
Raro como encontrar um lugar em que a natureza ainda não foi derrotada.
Raro como sair de uma refeição sentindo que o corpo agradeceu.
Raro como viver, ainda que por algumas horas, aquilo que sonhamos receber, ter e viver.
A Riba.
A nossa Riba.
Preservada.
E quando um lugar assim encontra uma casa que decide honrar o tempo, o alimento, a família, o detalhe e a experiência, não se trata apenas de gastronomia.
Trata-se de reconhecer que ainda existem refúgios.
E que ainda existem pessoas capazes de estar à altura deles.
por Frederico Manica
Escritor, poeta e observador apaixonado da cultura dos lugares, dos gestos e das experiências que ainda preservam sentido.
Pizzeria Matteo
Pizza contemporânea assada em forno a lenha
Praia da Ribanceira – Imbituba/SC
Funcionamento:
De terça a domingo, das 18h às 23h
Instagram oficial:
@matteo_pizzeria
Cardápio:
app.cardapioweb.com/matteo_pizzeria_artesanal
Expediente
Matéria realizada pela AG5 / Central do Skate / Cinco Continentes Editora / sob curadoria Editorial da AG5 e texto de Frederico Manica, publicada como parte do acervo Cultural Integrativo, de fortalecimento da Cultura Skateboard no Brasil e integrada a cena local nas ruas, nos bairros, nas comunidades reais, envolvendo todas as vertentes culturais, a música, a gastronomia, a educação, a arte. Cultura, como deve ser!
© 2026 Cinco Continentes Editora — AG5.