Home → Blog → O Triplo A: Ácies, Apex e Arousal. Já ouviu esses termos? Lampejos, Intencionalidade. Previsibilidade. Alto Rendimento. Atinja esse patamar.
Domine 7 termos-chave do alto rendimento (Ácies, Apex, Arousal, Sugestão, Intencionalidade, Previsibilidade, Lampejos) e pare de chamar viés de “mental”. Linguagem prática.
Terminologia e práxis no alto rendimento
Tem atleta que “parece mentalmente forte”. E tem atleta que é, de fato, estatisticamente lúcido: separa dado de narrativa, não se vende para o último lance, e sabe entrar no ponto crítico com execução limpa.
Este texto existe para isso: dar nomes precisos ao que acontece quando a pressão sobe — e impedir que técnico, atleta e família chamem de “mental” aquilo que, na prática, é viés de amostragem (o episódio recente dominando o julgamento).
A seguir, cada termo vem em dois planos:
Erudita/acadêmica (conceito) e Práxis (quadra/pista/tatame).
Usamos o tênis nos exemplos por exigir precisão e decisão sob pressão progressiva — mas a lógica vale para skate, surf, atletismo, futebol e qualquer modalidade com erro, risco e placar.
Sugestão é quando uma ideia ganha “força de verdade” porque foi marcante, porque aconteceu por último ou porque vem fácil à mente — e começa a contaminar expectativa, confiança e decisão. Em linguagem simples: o cérebro pega um episódio e tenta fazer dele uma lei.
Auto-sugestão é a sugestão autoinduzida: o próprio atleta instala e reforça a crença em si (fala interna, imagem, lembrança seletiva).
Heterossugestão é a sugestão de origem externa: a crença entra por fora (técnico, colega, torcida, mídia, adversário, ambiente) e vira comando invisível que sabota o plano.
Nota que evita confusão: as três podem ser facilitadoras ou sabotadoras. “Positiva/negativa” é efeito, não definição.
Sugestão é quando o atleta cria regra geral a partir de um episódio:
“meu backhand na paralela ficou frágil” (porque errou um ponto)
“meu drop shot é arma” (porque acertou um lance lindo isolado)
Auto-sugestão é quando isso cresce por dentro: “tô travado”, “não posso errar”, “isso aqui é minha arma”.
Heterossugestão é quando isso entra por fora: “não erra agora”, “teu backhand é instável”, “todo mundo sabe teu ponto fraco”.
Backhand na paralela foi 78% no treino (scout). No jogo, em ponto crítico, erra uma paralela.
A cabeça tenta fechar o caso: “paralela é frágil”.
O antídoto é cirúrgico: voltar ao n (amostra), ao contexto e ao padrão — e transformar certeza emocional em pergunta verificável:
isso é tendência ou episódio?
Regra prática:
Um lance não muda uma tendência; muda, no máximo, uma pergunta.
Intencionalidade é ação dirigida à meta: predominância do controle do atleta sobre o acaso e o ruído do ambiente. Não é “perfeição”. É processo sob governo.
É quando dá pra dizer: “eu quis isso e fiz isso”.
No tênis: saque no “T” para abrir a quadra + 1ª bola prevista no backhand. Se a sequência segue o plano, há alta intencionalidade.
Previsibilidade é estabilidade do desempenho: em condições semelhantes, a chance de resultado fica estimável. Isso permite decisão baseada em probabilidade, não em sensação.
“Quando eu faço X, meu jogo rende Y.”
No tênis: se o scout mostra que você ganha mais atacando o 2º saque no backhand, isso vira prioridade em pontos grandes.
O mito que atrapalha: previsibilidade não é “jogar seguro”. É jogar o maior valor esperado — e às vezes ele é agressivo, só que agressivo treinado.
Lampejos são ocorrências raras de execução acima do padrão sem sustentação de processo. O “lance de cinema” que não se repete sob pressão.
O risco é cruel: o atleta constrói identidade sobre a exceção (“viu? eu consigo!”) e ignora as lacunas que impedem repetibilidade.
Lampejo pode ser potencial… ou coincidência. Missão do técnico: transformar o raro em padrão treinável e estável.
Apex é a situação de alta alavancagem: uma única ação/tentativa tem potencial desproporcional de alterar o desfecho final. O critério é objetivo: regra, placar, tempo, tentativas restantes.
A distinção vital: Apex é o que o jogo impõe (contexto). Ácies é como o atleta executa (estado).
Apex é o “ponto caro”.
No tênis: 30–40 sacando.
No skate: última linha/manobra depois de duas linhas ruins.
No atletismo: 3ª tentativa após dois erros.
Uso correto: só chame de Apex se houver critério objetivo. Não use como sinônimo de Ácies.
Ácies é governo do foco: estado de “afiamento” em que o atleta corta o ruído e executa com intenção dominante. É o “modo lâmina”.
Ácies é quando o atleta enxerga o alvo, elimina distração e executa sem novela interna. Pode estar com arousal alto ou médio — o que define Ácies é o corte do irrelevante.
Regra de uso: só diga “entrou em Ácies” se houver sinal comportamental: rotina estável, decisão clara, execução limpa.
Arousal é o nível de ativação psicofisiológica: quão “ligado” o sistema está. Busca-se a zona ótima: nem apatia, nem ansiedade/pressa.
Arousal é energia. Ele ajuda… até passar do ponto e virar tremor, rigidez, pressa e perda de direção.
Regra de ouro: Arousal alto sem Ácies gera rigidez e perda de controle. O objetivo é regular energia para manter governo do foco sob pressão.
Dados > sensação.
Processo > lampejo.
Contexto > emoção.
Terminologia correta, vocabulário adequado, conceito preciso, diagnóstico assertivo, leituras imparciais, são ferramentas dos profissionais: mais diagnosticar, corrigir, treinar e competir, oferecem integralidade e só isso entrega a confiança necessária ao processo, com linguagem imparcial — atleta, técnico, família ecossistema mantenedor, falando a mesma língua quando só a superação efetiva faz a vitória ser entrega e resultado, ser sucesso e felicidade, ser obra e legado!
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Material integrante do Sistema Atlântico — Treinamento de Treinadores: Terminologia e Práxis no Alto Rendimento, Central do Skate / Cinco Continentes Editora, com uso interno para treinadores.
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Este conteúdo compõe e apoia o Curso de Formação de Técnicos e Treinadores (Módulo III) da ABC do Skate Brasil.
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