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Impulso: o fanzine que mantém o skate fora das telas, nas ruas, nas pistas e no papel impresso — Ferbson Brito fala sobre base, valores e permanência.

AG5 - Agência de Conteúdo

25/02/2026

Atualizado em 26/02/2026

Ferbson Brito, skatista desde 1986, conta como o Fanzine Impulso fortalece a base, circula pelas lojas e pela rua, gera valor real para anunciantes e insiste no que o mercado não compra: cultura e permanência.

AG5 ENTREVISTA FERBSON BRITO
“Comum não é aceitável”: Ferbson Brito e o Impulso contra a cultura do passageiro

Entrevistado: Ferbson Brito — Diretor Comercial do Fanzine Impulso, ativista da Cultura Skateboard, instrutor (ABC do Skate Brasil), organizador de eventos, circuitos, locutor, juiz e representante. Skatista desde 1986, João Pessoa–PB.
Entrevistador: AG5

Resumo
Ferbson Brito atravessou 40 anos de skate sem “degenerar” os valores. Nesta entrevista, ele explica por que criou o Fanzine Impulso, como ele circula pelo Brasil (com força no Nordeste), como o anunciante pode maximizar resultados e por que formação e profissionalismo são decisivos em 2026.

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1) Quem é Ferbson, antes do cargo?
AG5: Ferbson, te apresenta sem pose. De onde tu vem e o que tu construiu nessa estrada?

Ferbson: Eu sou skatista desde 1986, de João Pessoa, Paraíba. E eu atravessei fases que muita gente só ouviu falar: a forja, a resistência, a consolidação da cena, até chegar nesse momento em que o skate está na TV, entra em clubes, escolas, e já vai para a terceira participação nas Olimpíadas. Só que eu não cheguei “agora”: eu vim carregando os valores e os ideais sem degenerar.

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2) Por que um fanzine hoje, em plena era digital?
AG5: Tem gente que vai dizer: “zine impresso em 2026 é nostalgia”. O que você responde?

Ferbson: Eu respondo com realidade: o Impulso é ferramenta de cena REAL. Ele integra conteúdo, divulgação de marcas e apresentação dos valores da Cultura Skateboard de forma única. A internet é veloz, mas o impresso tem permanência — ele vira registro do que está acontecendo e de quem está fazendo acontecer. O Skate ainda é andado! Nas pistas e nas ruas. Ainda não e só nas telas, no instagram, no tik tok, no videogame. O nosso "papel" a nossa "impressão" é manter os valores do skate. Uma Skateshop que não tem um fanzine para oferecer para o seu cliente, me desculpe o lojista que não acredita no impresso, mas é uma skateshop incompleta.

Nota de contexto:
Fanzines têm tradição de registrar e fortalecer cenas culturais independentes.
Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/Fanzine

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3) Nordeste e Brasil real: qual é o buraco que o Impulso tenta preencher?
AG5: Você diz que o Nordeste ainda carece de eventos regulares e apoio efetivo. Falta gente ou falta estrutura?

Ferbson: Falta estrutura e continuidade. Tem talento, tem gente, tem vontade. O que falta é regularidade, rede, e gente que aguenta o tranco sem vender a alma. O Fanzine ajuda porque dá visibilidade, dá pertencimento e faz ponte entre marcas, skatistas, lojistas e iniciativas. A cena precisa de constância pra crescer sem ser só “um evento por ano”.

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4) O Impulso em termos práticos: o que é e o que não é
AG5: Define o Impulso sem poesia.

Ferbson: O Impulso é um fanzine com edições impressas. Ele integra conteúdo, marca, skatista, foto, a Capa! A história — e circula. Não é “só catálogo” e não é “só mídia”: é registro e é ponte. Meu objetivo é que daqui 10 anos a edição seja um meio de passar a história de quem fez o skate.

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5) Modelo de distribuição: como isso circula de verdade?
AG5: Como ele chega na rua?

Ferbson: A distribuição é direta e orgânica. Um lote vai pros anunciantes. Outro vai pros lojistas de skate. E o restante vai no boca a boca e por divulgação na rede. O coração do alcance é físico: o zine vai parar na mão do skatista de base, no chão.

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6) Critério editorial: como evita “panelinha”?
AG5: Todo veículo independente corre risco de virar clube fechado. Como você filtra quem entra?

Ferbson: O Fanzine funciona por indicações — consultas, presença na cena, nos eventos aqui e lá, na rede de contatos de professores e instrutores de Skate no Brasil todo. Não é só aqui no Nordeste. Nós, instrutores de skate que também temos experiências em todas as áreas do skate, hoje temos a nossa rede de apoio no Brasil inteiro. Essa é a parte boa da internet, das redes sociais, do whatsapp. Antes era telefone e carta e olhe lá. Então estamos unidos de sul a norte, de leste a oeste, essa é a força que nos manterá mais fortes que sempre. E eu sei que isso pode soar suspeito pra quem é de fora. Mas mais de 40 anos de skate dão filtro. Num bate papo, no tete a tete,  com um empresário, com um patrocinador, com um oportunista, você detecta quem ele é e o que quer afinal. Você aprende quem é quem: quem soma, quem trabalha, quem vive a cultura e não só se encosta nela. A “panelinha do skate, é quem vive de vitrine e microfone”; a nossa curadoria é por vivência. E eu converso com empresários de dentro e fora do skate. Eu converso com skatistas, instrutores e professores do Brasil inteiro. Eu tenho amigos e conhecidos que são dirigentes e agentes culturais de eventos no Brasil inteiro. Uma coisa que o Skate nos ensina bem depois de todos esses anos, é aprender a identificar quem só pensa no dinheiro, na fama, na posição de destaque por fazer parte da panelinha, e quem merece ser destaque, por mérito de verdade, por fazer acontecer, por ser uma pessoa que constrói o skate para todos indistintamente, e não só para sua empresa, para os seus amigos, para os seus comparsas, para a sua panelinha.

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7) Publicidade no zine: como o anunciante maximiza resultado?
AG5: Ensina o caminho.

Ferbson: Sou anunciante tá. Recebi os Fanzines, meu anúncio tá lá (meia página, página inteira, segunda capa, terceira ou quarta). Quando você divulgar, não manda seco. Você envia pra sua lista com um pequeno texto valorizando o anúncio: diga que fez um anúncio num zine que circula no Brasil inteiro. Abra espaço pro seu skatista, valorize ele, a manobra dele, o nome do fotógrafo, o nome da manobra. Na hora que você destaca o anúncio com suas palavras, o seu cliente olha o seu anúncio de forma diferenciada. E a mágica começa a acontecer. Você é parte viva, real, atuante. Você existe na cena e faz acontecer. Não é só um post para curtidas.

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8) Métrica de resultado: o que é “resultado” nesse ecossistema?
AG5: Resultado é venda, alcance ou reputação?

Ferbson: Resultado é multiplicação real na base. Nossa multiplicação é através das lojas, que atendem o skatista raiz, que valoriza a cena local, e isso se multiplica nas mãos de quem faz o skate na base. Não é só número de curtida. É presença, pertencimento e continuidade. É por isso que nós valorizamos muito a base. A gente sabe quem tá no dia a dia lutando pelo seu espaço com suor e não quem chega com soberba, caindo de paraquedas, inventando narrativa que não se sustenta, mentindo que foi o primeiro a fazer isso ou aquilo, que é pioneiro sem ser, e tantas histórias que nós com mais de 30 anos de estrada, vemos esses oportunistas espalharem pelas redes sociais, para ganhar likes. No papel, não da pra apagar amanhã a mentira que você postou hoje. Tá lá, na História!

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9) Mercado em 2026: nunca foi tão competitivo
AG5: Isso, vamos seguir nessa linha. O skate conquistou espaços, mas agora tem milhares de empresários entrando e competindo de igual pra igual com quem construiu tudo. Como atuar sem virar cópia?

Ferbson: Com muito profissionalismo, investindo em formação e capacitação, valorizando o que é local — da sua rua, do seu bairro — e sempre mantendo o amor pelo skate acima dos interesses comerciais e do mercado.

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10) A Pergunta que está em sempre nas entrevistas atuais

AG5: Ferbson, o skate já passou por Tóquio 2020, voltou em Paris 2024 e está no programa de LA28 — e isso muda o jogo. Na tua visão, qual é o limite saudável do “skate olímpico” para não virar uma máquina que suga a cultura? E, principalmente: qual deve ser o papel real das Federações — na prática, com transparência e continuidade — para garantir que o recurso, a visibilidade e as oportunidades cheguem à base, às cenas locais e a quem faz o skate existir fora do palco?

Ferbson: O skate olímpico poderia ser algo maravilhoso — impensado anos atrás. Mas, do jeito que está, as Federações muitas vezes não oferecem base: oferecem uma vaga num Brasileiro que, na prática, não leva a nada além do prejuízo de quem tem poucos recursos e precisa atravessar o país, e ainda ficar pedindo favor e mendigar oportunidade de andar de igual para igual com quem é local. Nunca nos nossos eventos em todos esses anos alguém precisou pagar aulas para poder andar na véspera dos campeonatos. Aí o sistema vira filtro de privilégio: quem já tem estrutura segue sendo beneficiado, e quem não tem paga para “participar” sem perspectiva real. Isso não é o skate. Fortalecer a cena sempre foi — e segue sendo — trabalho de Associação. Associação de verdade, como a ASCOP que divulgamos em uma de nossas edições: que fomenta, organiza, cria continuidade, não seleciona quem pode pagar mais e não transforma acesso em vitrine de poucos. Se isso não mudar, o skate brasileiro perde protagonismo, não por falta de talento, mas por falta de critério e justiça no caminho.

E é importante cravar: a culpa não é da Olimpíada. A Olimpíada é meio. A culpa é das nossas instituições locais quando não cumprem seus próprios estatutos, não garantem igualdade de oportunidade e deixam a base virar figurante. Se o skate olímpico não for respeitado como instrumento de acesso justo — para todos — ele pode virar o fim de uma tradição brasileira de skatistas renomados mundialmente, construída na rua, na persistência e na cultura.

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11) Chamada final: como apoiar o Impulso?
AG5: Pra fechar: como apoiar de forma prática?

Ferbson: Temos espaços para pequenos, médios e grandes. E assim estamos conquistando mais e mais anunciantes edição após edição. Nosso objetivo é que daqui 10 anos termos feito a nossa parte.

"Que cada edição seja um meio de passar a história de quem fez e faz o skate. É pro amor de verdade. Quarenta anos de skate ensinam que o skate por dinheiro só é bom companheiro de quem é passageiro no skate. Quem fica, quem faz, pensa como nós, a longo prazo, e para todos, de sula a norte, de leste a oeste, e não só para uma pequena panela numa ilha, o nosso Brasil é continental, o skate não pode ficar nas mãos de uma ou duas pessoas. O skate que construímos, tem que estar nos pés de todos os Brasileiros. O Impulso é isso. Uma força que sempre existiu, só não tinha virado veículo. E nós não vamos desistir desses sonhos e ideais."

FERBSON BRITO - Fanzine IMPULSO Skateboard - (83) 99896.0906

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Expediente

Entrevista produzida e publicada pela AG5 / Central do Skate como parte do acervo editorial de fortalecimento da Cultura Skateboard no Brasil.
Texto e edição: AG5 (Central do Skate). Entrevistado: Ferbson Brito.
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Sugestões de pauta Editoria AG5 via whatsapp: (53) 99123.4934
Tags: Cultura Skateboard